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"A expectativa agora é de reunificação do país", afirma Leandro Grass (PV)

Por PATRICIA em 02/11/2022 às 06:22:21

A transição é um trabalho essencialmente técnico. Mas há espaço também para os políticos. Por exemplo, uma das discussões é o papel do vice Geraldo Alckmin na transição. Como você avalia o papel que os políticos terão na transição?

A transição é um processo técnico-político. Precisa de gente que entenda da dinâmica do Estado, das políticas públicas, que compreenda como se organiza o governo, para poder acessar as informações certas e ir atrás daquilo que é necessário. Então, você precisa desses quadros de caráter técnico, mas, ao lado do caráter técnico, esses mesmos quadros têm que ter uma liderança, tem que ter capacidade de organização de trabalho em equipe, de saber determinar metas e resultados. Porque a transição é curta, mas ela tem que ser bem planejada em qualquer governo. Tenho certeza de que Lula vai compor uma equipe de transição com essa frente ampla, com quadros extremamente qualificados e que vão colaborar para que o governo se inicie com tudo o que precisa para avançar, implementar as políticas e, junto ao Congresso Nacional, aprovar o que for necessário. Provavelmente vai ser feito, ainda nesta legislatura, especialmente com a Câmara dos Deputados, um trabalho de alteração da LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias), para que possam ser incluídos determinados programas que o Lula quer implementar logo no começo do ano. Esse diálogo começou com o próprio Arthur Lira. Então, é um trabalho complexo, uma arquitetura difícil, mas confio que, com a participação do Alckmin, do Aloizio Mercadante e de outras figuras, como o próprio governador Wellington Dias, que são lideranças políticas, mas também com um forte potencial técnico, eles conduzam isso da melhor forma possível.

Uma das preocupações é sobre como estão as contas públicas. Vimos, nos últimos três meses, um aumento dos gastos, principalmente em auxílios. Como a transição está vendo isso?

A gente precisa ter responsabilidade fiscal e social. Não se pode penalizar a população por determinadas limitações. Temos que buscar soluções de onde se corta, para poder dilatar de um lado determinado e implementar uma determinada política. Então, tem quadros muito qualificados que vão, certamente, encontrar essas saídas para estabelecer o caminho e aí, junto ao Congresso Nacional, fazer as alterações necessárias.

A gente está acompanhando a reação do bolsonarismo diante da derrota, principalmente aqui no DF, que é muito forte. Como você enxerga isso?

Confiamos que a decisão do STF (de mandar desobstruir as rodovias) seja cumprida, e já começou a ser cumprida em alguns estados. Se não me engano, em seis. Creio que, até amanhã (hoje), tudo se resolva. Não é possível, não é aceitável que determinadas pessoas, poucas, tenham essa ousadia de afrontar a democracia, agirem na ilegalidade, com irresponsabilidade e fazer com que a população pague um preço, provoque prejuízos para o povo.

Voltando à transição, como você avalia esse apoio que os chefes estrangeiros demonstraram em relação ao presidente eleito?

Essa dinâmica do cumprimento de chefes de governo a quem ganha eleição faz parte do comportamento democrático, é normal. O Brasil é um dos maiores países do mundo, tem uma relevância imensa no cenário Internacional, então, já se esperava que os presidentes de vários países cumprimentassem o Lula. Por outro lado, foi possível perceber a animação desses líderes com a eleição de Lula, não só líderes progressistas, mas também liberais, reconhecendo e se animando com o presidente eleito, que reposiciona o Brasil na cena internacional.

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Jair Bolsonaro foi bem votado na capital federal, porém, vemos que os principais deputados distritais, os mais bem votados, são de esquerda. Como é que você vê essa relação dos deputados distritais com o GDF?

O projeto que venceu (no DF) é totalmente diferente daquilo que a gente defende, daquele programa que a gente apresentou. Quando digo "a gente", quero dizer o campo progressista. Portanto, há uma tendência óbvia de oposição ao governo Ibaneis por parte desses partidos e das lideranças. Eu, mesmo sem mandato, permanecerei na fiscalização e no controle do governo. Seguirei acompanhando e, assim como fiz enquanto deputado, vou continuar denunciando todas as vezes que houver irregularidades e problemas que atingirem a população. Espero que a nossa bancada na Câmara Legislativa faça um forte trabalho de fiscalização e controle, e que ela possa apoiar os bons projetos, como nós apoiamos. Aliás, em vários momentos a oposição votou os projetos do governo, inclusive votou mais propostas do governo, do que vários deputados da base, que não estavam em plenário, que não participaram das discussões. Nós apoiávamos quando era bom, mas tínhamos também a capacidade de questionar e de criticar quando era ruim, e assim continuamos fazendo. Porque o nosso compromisso é com a população não é com o governo X ou Y.

Quais áreas você acha que tem mais espaço para recursos federais e destiná-los ao DF?

O Ibaneis, tendo um presidente da República aliado, não conseguiu sequer levar a reestruturação das carreiras da segurança pública pelo governo federal. O que tem de expectativa, por exemplo, é a segurança pública. Há muito tempo, tanto a Polícia Civil, quanto a Polícia Militar e os bombeiros não têm a reestruturação da sua carreira. A mesma coisa se aplica à questão dos investimentos em cultura. O Distrito Federal está com o Teatro Nacional fechado, a gente tem o Teatro da Praça, de Taguatinga; e o Cine Itapuã, do Gama. Equipamentos públicos importantes foram fechados e o Lula, quando esteve em Brasília, se comprometeu a investir em cultura no DF, e isso vai acontecer porque o Ministério da Cultura vai ser recriado e haverá investimento para a criação de novos centros culturais e novos pontos de cultura. Outra área que a gente espera muito é a de infraestrutura. 

Outro ponto importante, que sempre está na pauta nas últimas duas décadas, quando se fala da relação do GDF com a União, é a regularização de terras em áreas federais. E provavelmente esse tema vai voltar com grande discussão em 2023.

Precisa voltar, principalmente falando da regularização das áreas rurais. Aqui no DF, temos um bom percentual que está na mão da União, e esse território está sendo grilado e parcelado com a conivência do governo local, que não combateu a grilagem e fez vistas grossas para esse tipo de crime. Então, a gente espera que o governo federal, por meio do Incra e de outros órgãos, tenha uma atuação rápida na questão da reforma agrária e nos assentamentos na regularização das terras rurais, para dar segurança jurídica aos nossos pequenos agricultores, que estão sofrendo muito em relação a isso, sendo assediados permanentemente pela especulação.

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E a participação do seu partido, o PV, no governo Lula? Qual o espaço que o senhor imagina é de interesse?

O Partido Verde foi um dos primeiros partidos ecológicos da América Latina. Ele tem um acúmulo de muitas informações, muitos diagnósticos na área ambiental, mas não só essa. Temos quadros do PV que atuam na educação, na cultura, na saúde, na economia, na infra-estrutura. É um partido que tem pessoas muito qualificadas.

Você acha que viveremos um novo grande boom de concursos públicos?

O governo Bolsonaro enfraqueceu muito o funcionalismo público, desprestigiou bastante os servidores públicos, não houve reestruturação de carreiras. Tivemos um congelamento dos salários e uma falta de recomposição dos quadros. Muita gente se aposentou e não houve concurso para recompor. Espero que o Lula faça sim, não só de recomposição salarial, mas também de contratações e de valorização do servidor, com a profissionalização da gestão pública, combatendo essa ação e esse movimento da PEC-32, que é trágica. Ela é perversa demais para o Estado brasileiro e para a população. Então, o Lula tem compromisso com o serviço público e tenho certeza que ele terá uma postura de valorização dos servidores.

*Estagiária sob a supervisão de José Carlos Vieira

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Fonte: Correio Braziliense

Tags:   Entrevista
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